Blog do Itamar

A Noite de Ano de Dedeu…

Adispois de espiar os magote fogos, que iluminou o céu de Afogados da Ingazeira por mais de dez minutos, o ex-jogador de futebol Dedeu Bola Cheia fez finca pra Praça Arruda Câmara, pra mode arrodear a dita cuja e espiar o parque de diversões, no dia de ano. No parque, as músicas já não eram ‘Meu Ursinho Blau Blau de Brinquedo’, um caipirão romântico, nem mesmo a Véia Debaixo da Cama, tão rodada e ouvida pelos amigos do seu tempo…

Ah, nas esquinas, tudo modernizado, com pizzarias, tapiocarias, quiosques com os mais diversos lanches e inté um tal de Milk Shake, oxe! Cum o advento nunca mais se viu exposta as bancas fartas de melancias, mangas, abacaxis, banana e goiaba, frutas produzidas sem agrotóxicos na nossa sofrida terra pajeuzeira. A noite de ano, lembra ainda as garrafinhas de Ki-Suco expostas a venda com bolo de caco, pasteis e garras chapiscadas de açúcar.

A boate Marquise atraia os que não gostavam de arrodear a antiga praça, rustica e com seus bancos altos, mas tão gostosa de sentar. Uma multidão entupia o centro de Afogados, pois a comemoração da noite de ano era na praça. Moradores da zona rural vinham à pé das mais longínquas localidades, muitos deles traziam debaixo do suvaco, um capão ou um pirú pra onde ficasse arranchado. Sem aparelhos celulares, o povo proseava mais e se proseia…

O passar do tempo encolheu a presença das pessoas na Praça Arruda Câmara e justamente no famoso dia de ano, lá estava Dedeu no vagão-vagante, vacante e vaziante, perneando por entre jovens cabisbaixos, navegando no mais sombrio e obsoleto mundo solitário, em meio aos demais alienados… Sem ao menos um celular lanterninha no bolso, pra mode espiar a hora, Dedeu, felizou, dedeuzou, dedeuzando, na mais alta dedeuzada dedeuzante…

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Um comentário sobre “A Noite de Ano de Dedeu…

  1. Alberto Goes

    Oh tempo bom!! E tinha a boneca de João Guará, que pescava os peixinhos com os números e a gente marcava na “tabica”. Tinha o jogo do laça-laça, onde se jogavam as argolas para laçar as carteiras de cigarros com cédulas de dinheiro pregadas. Ali era difícil de laçar. O Pastoril na porta da Catedral e a hora mais esperada era quando Moacir Queiroz chegava com a dinheirama para o cordão encarnado e Seu Aderval Viana, da mesma forma, chegava com a vultosa quantia para o cordão azulado. Tinha ainda algodão-doce, rolete de cana e ainda as canoas de Miguel Jacó…
    Quando o sino batia as 12 badaladas, as luzes eram cortadas e ficava um breu danado e a gente ficava com medo da “morte matada” traiçoeira para quem tinha as intrigas na cidade.

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