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Folha de São Paulo publica matéria, após consulta ao blog do Itamar

Integrantes da Bancada Feminista, que disputará a eleição de vereadora pelo PCdoB em São Paulo: Carina Vitral (blusa azul), Claudia Rodrigues (blusa preta), Camilla Lima (blusa vermelha) e Nayara Souza (blusa cor-de-rosa). Crédito: Karla Boughoff/DivulgaçãoApós ser visitado pela jornalista Daniela Aracanjo, a Folha de São Paulo entrou em contato com o Repórter do Pajeú, Itamar França, onde se coletou mais informações sobre as candidaturas coletivas no município. O leitor pode ver na íntegra a nota publicada nesta segunda-feira (27).

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/07/sem-regra-legal-candidaturas-coletivas-se-espalham-e-viram-opcao-da-esquerda-a-direita.shtml

Sem regra legal, candidaturas coletivas se espalham e viram opção da esquerda à direita

Há um ano, os habitantes de Afogados da Ingazeira (PE) recebiam a notícia de que a Câmara Municipal poderia ter um tipo incomum de mandato. As moradoras Lena Braz, Cícera do Leite e Maria Alves foram à rádio local anunciar que concorreriam juntas a uma só cadeira, em uma chapa batizada de Unidas. “Eu tenho o sonho de chegar lá fazendo uma política diferente”, afirma Cícera, que já tentou ser vereadora (sozinha) duas vezes na cidade. Desde a entrevista na rádio, apenas uma continuou com ela: Maria Alves, ou Dinha Merendeira, como vai se apresentar à população. Edja Brito completa o trio, que sairá pelo PSD.

Seis meses após a novidade, outro afogadense revelou aos 30 mil habitantes do lugar que tentaria entrar na disputa com uma campanha nos mesmos moldes. José Barbosa quer uma plataforma que represente os guardas municipais da cidade —mas ainda procura parceiros para a jornada. Como no município pernambucano, que poderá assistir à competição entre duas candidaturas coletivas, outras localidades de norte a sul caminham para ter na eleição municipal deste ano um número recorde de campanhas para vereador com esse estilo.

Nayara Souza, Carina Vitral (à frente), Camilla Lima e Claudia Rodrigues, integrantes de candidatura coletiva que concorrerá a uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo pelo PC do B – Karla Boughoff/Divulgação

As pré-candidaturas se espalham por partidos de diversas orientações ideológicas, desde PSOL, PT e PC do B até MDB e DEM, passando por PDT, Rede Sustentabilidade e PSB. As legendas têm até 26 de setembro para fazer os registros na Justiça Eleitoral.

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O formato, que já foi vitorioso em eleições para vereador e deputado estadual desde 2016, consiste em um grupo (geralmente três pessoas ou mais) que faz campanha em conjunto e, caso eleito, assume coletivamente a cadeira. Na urna, aparecem o nome e a foto de apenas um dos integrantes.

Essa configuração, no entanto, está fora das previsões legais e das regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o que abre margem para questionamentos judiciais. Até agora, não se sabe de nenhum processo do tipo.

O trio de mulheres de Afogados da Ingazeira acredita que, em três, elas têm mais possibilidade de vencer. “Esse modelo aumenta as nossas chances de ganhar e ter mais mulheres na política da cidade”, empolga-se Cícera. Hoje, os 13 vereadores são homens.

Para Barbosa, que tenta montar a outra chapa do município, “uma candidatura coletiva pode atingir mais grupos. Os outros companheiros também têm um grupo familiar, [alcançam] a área onde moram”.

A iniciativa, que começou com três guardas municipais, ainda patina. Se vingar, ela terá uma junção inusitada: Barbosa, ligado aos movimentos social e sindical e ex-filiado ao PT, sairia em uma chapa com um apoiador do presidente Jair Bolsonaro, Roberto de Freitas.

O primeiro diz que as divergências não atrapalhariam. “Não podemos nos fechar em uma ideia só. Se temos um objetivo maior, temos que discutir com pessoas que têm um ponto de vista diferente. Política é isso.” Caso a formação coletiva não dê certo, será Roberto o candidato da causa dos guardas, pelo PSC.

Outra experiência pernambucana —esta na capital, Recife— une três vizinhos da comunidade do Coque: Dimas Francisco, Kátia da Silva e Didiu do Prezeis. Eles querem disputar uma vaga na Câmara pelo DEM.

“Chega prefeito e vereador aqui prometendo várias coisas, e depois não cumpre. Vendo isso, a gente se juntou e falou: ‘Não vamos dar brecha para esses candidatos de fora’. Se acontecer algum problema, fica mais fácil para a comunidade nos cobrar”, afirma.

Especialmente nas legendas do campo progressista, uma tendência parece ser a do uso do formato para agregar pessoas em torno de causas como o feminismo e o antirracismo.

Na capital paulista, o PDT prepara cinco candidaturas coletivas, que se dividem em bandeiras relacionadas a gênero, direitos humanos e território.

Uma delas, a do grupo Periferia É o Centro, reúne nove membros e é encabeçada pelo ativista Jesus dos Santos, que já tem experiência com mandato compartilhado. Ele é um dos integrantes do coletivo eleito em 2018 para a Assembleia Legislativa de São Paulo, hospedado no PSOL.

Lá a titular, para efeitos legais, é a deputada Monica Seixas (PSOL), reconhecida pela Casa como parlamentar. Os outros oito eleitos com ela são chamados informalmente de codeputados.

Agora, Jesus será novamente “cocandidato”. E duas colegas dele no mandato estadual também tentarão vagas na Câmara paulistana, só que individualmente —uma pelo PSOL e outra pela Rede Sustentabilidade.

“A ideia é carregar a vivência parlamentar que adquiri e também dar a outras pessoas a oportunidade de ocupar esses espaços institucionais, levando nossa voz e as pautas das camadas marginalizadas“, diz o pedetista.

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